domingo, 1 de novembro de 2015

O Exemplo de Palissy

Di Thiene Info apresenta

O EXEMPLO DE PALISSY

A lenha não era bastante...Bernard Palissy lançou mão dos moveis de sua modesta casa para alimentar o fogo

Quem visita o museu do Louvre não imagina talvez a distancia que separa os admiráveis esmaltes de Bernard de Palissy - verdadeiros primores como: A Nympha de Fontainebleau, a Caridade, Madalena no Deserto, dos primeiros trabalhos desse mestre.

Todavia, no ano de 1533, Palissy era um obscuro operário, pintor de vitrais e vivia em uma modesta casinha em Saintes, pequena localidade, ganhando tão pouco, que para fazer frente a suas despesas aceitava também serviços de agrimensor. Por si mesmo e sem auxilio nem mestre, aprendeu geometria e trabalhou no meio das maiores privações, conhecendo todos os horrores da miséria, carregado de filhos e perseguido pelas hostilidades dos invejosos.

Nascera em 1510 em Agem. Aos dez anos abandonou a casa paterna e viajou pelo norte da França e da Alemanha, manifestando desde logo suas tendências para os problemas de cerâmica, já adiantados na Itália mas ainda reduzidos á tosca louça em França. Tendo visto uma linda taça de porcelana florentina Palissy teve a ambição de descobrir o segredo das fabricações de esmalte.

Ignorando então tudo sobre as louças mais grosseiras e aprendendo sozinho aqui e ali, começou por construir um forno onde cozinhou pedaços de vasilhas de barro que misturava com outras matérias para ver o que dava.

Como era de se esperar essas primeiras experiências fracassaram, custando a Palissy tempo e dinheiro. Sua esposa, já abatida pelas privações protestava contra essas loucuras; os vizinhos consideravam-no maníaco, acusavam-no de tentar experiências de feitiçaria.

Vários anos passaram assim, sem que a maledicência e os motejos lograssem vencer a obstinação de Palissy. Trabalhava como um louco para atender ás necessidades da família e apenas conseguia algumas horas vagas, voltava a suas experiências. Mas sua alma estava já dominada pela amargura.

Um dia, afinal, conseguiu que uma nova preparação química sujeita ao calor do forno se derretesse sobre um pedaço de vasilha de barro formando esmalte branco. Mas tinha falhas.

Palissy modificou a formula e preparou-se para uma nova experiência. Estava inteiramente sem recursos mas não teve animo para fazer seus trabalhos usuais sem tirar a prova da justeza de seus cálculos.

Arranjou dinheiro emprestado para lenha e uma bela manhã, começou a operação.

Passou o dia inteiro junto do forno fiscalizando a cocção; prosseguiu durante toda a noite sem que as mesclas se derretessem. Nasce o sol, decorre o segundo dia e passa a segunda noite sem que o inventor se afaste de seu forno. Renova o combustível, examina a cocção...Nada. Escurece, volta a amanhecer. Em vão sua esposa lhe suplica que abandone aquela teimosia. Desfigurado pela fadiga, alucinado pela angustia, Palissy, resiste até o sexto dia!

Caí então extenuado. Não logrou o resultado que esperava mas está certo de que seus cálculos são os verdadeiros. Atribui o fracasso á insuficiência de calor. E, apenas repousou um pouco, vendeu o pouco que tinha com algum valor em sua casa para comprar novo fornecimento de lenha.

Acende o fogo, passam as horas e o calor não chega ao grau que ele deseja; a lenha estava terminando... Para que o aquecimento não fosse interrompido, Palissy correu para fora de casa e arrancou os postes da cerca que a rodeava e trouxe-os para o fogo. Passa-se mais uma hora... O resultado ainda não se manifesta; mas o inventor desta vez está certo de que o problema se reduz a calor... Não há mais combustível...Sem hesitar, ele despedaça uma cadeira e mete-a no fogo. Não é bastante. Arranca uma porta, depois uma janela. Sua esposa protesta em altos gritos julgando que ele enlouqueceu.

Sem responder, Palissy de machado em punho despedaça outras portas e janelas, outras cadeiras, a mesa, um armário.

 

Os vizinhos, amotinados pelos gritos de sua esposa, juntam-se em torno da casa, reclamam a força pública para dominá-lo...Mas Palissy faz os recuar com ímpeto terrível e a vitória sorrir-lhe afinal.

O invento maravilhoso, a criação do mais fino e perfeito esmalte de porcelana era o resultado de dezesseis anos de trabalhos e torturas incomensuráveis.

 

Caso queira apreciar tudo sobre o genial artista ( exposições em  museus, artigos, etc. etc) , clicar em

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Bernard Palissy

[1510-1590]

 

CRÉDITOS

Adaptação livre,  efetuada por Pedro Detizio Junior , de um clássico (agosto de 1926) editado pelo almanaque:

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